sábado, 14 de abril de 2012

Publicada a versão revista do artigo "O Campo do Filme Religioso"

Aos que se interessarem por filmes de assunto religioso a Revista Olhar (Ufscar) gentilmente publicou meu artigo "O Campo do Filme Religioso" no qual faço uma introdução ao assunto e teço algumas considerações teóricas. Segue o link. Aproveitem também o belo projeto editorial da revista.  http://revistaolharufscar.wordpress.com/tag/luiz-vadico/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Preparando artigo para Socine

Em bre Angeluccia, Miguel pereira, vamos estar novamente sintonizados para mais uma Mesa na Socine. Provavelmente iremos tratar de hagiografia fílmica. Estou aqui pensando em atacar academicamente o tema mais candente de relgião e Cinema do último século: Maria Madalena! Vou verificar a evolução da personagem ao longo da história do Cinema e tentar mapear a sua influência.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O “Cristo da Fé” e o “Cristo Cinemático”. As imagens de Jesus no cinema

Migração da arte pictórica para as telas, as alterações que a representação de Cristo sofreu em diferentes produções cinematográficas e o sentido da Páscoa são analisados pelo historiador Luiz Vadico



Por: Márcia Junges e Graziela Wolfart

Examinar as produções cinematográficas cujo personagem principal é Jesus Cristo. Esse é um dos temas da entrevista a seguir, realizada por e-mail com o historiador Luiz Vadico. Para ele, os filmes A vida e a Paixão de Cristo – A paixão da Pathé, Vida de Cristo – A paixão da Gaumont e Da manjedoura à cruz são os três mais importantes sobre a vida de Cristo no Primeiro Cinema. Segundo ele, “há um fenômeno bastante interessante que ocorre nos filmes de Cristo. Como a história é conhecida e é basicamente a mesma, em geral os produtores e ou diretores conhecem as produções realizadas até o momento em que decidem fazer as suas próprias. Isso faz com que haja um diálogo entre estes diversos filmes, onde ou ocorrem referências ou a experiência dos antecessores é aproveitada”.

Licenciado e bacharelado em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Vadico possui mestrado e doutorado em Multimeios pela mesma instituição. Atualmente, é professor titular da Universidade Anhembi Morumbi, supervisor do Centro de Estudos do Audiovisual (UAM), e professor de Comunicação, Estética e Cultura de Massa no curso de Extensão em TV para a Televisão Pública de Angola (TPA), em Luanda, Angola. É também membro do Conselho Editorial da Revista Interatividade e membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine). Além disso, Vadico é também escritor e poeta.

Na programação do evento de Páscoa do Instituto Humanitas Unisinos deste ano, Vadico apresentou três conferências. A primeira, no dia 18 de março, em Porto Alegre, na Usina do Gasômetro, teve como título “Jesus no primeiro Cinema. Estética e Narrativas”. E no dia 19 de março ele falou, na Unisinos, sobre “A paixão de Cristo no primeiro Cinema. Influências Artísticas, estética e narrativa” e sobre o tema “Imaginando o Divino. Representações de Jesus no Cinema”. As três conferências também foram exibidas na Unisinos, dentro da programação Páscoa IHU 2009.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Em termos gerais, como você analisa as adaptações da vida de Cristo pelo cinema?

Luiz Antônio Vadico - É um tanto quanto difícil falar “em termos gerais” sobre as adaptações, pois cada uma delas teve especificidades bastante próprias. Pensar em algo que seja comum a este universo de produção pode causar alguns equívocos de interpretação. No entanto, para atender à questão, acredito que se pode dizer que estes filmes sobre Cristo são, sobretudo, um ponto de encontro entre interesses. O interesse dos produtores em ampliar seus lucros (atraindo um público que não frequentava o cinema nos primeiros anos de sua história, mulheres e crianças); o dos exibidores (ao poderem abrir as portas dos seus estabelecimentos em dias consagrados ao descanso); o dos religiosos que poderiam ter seu trabalho de catequese ampliado pela utilização dos filmes; e, por ultimo, o interesse do público em participar de um espetáculo que o remetesse às raízes da sua fé.

Neste encontro (e às vezes entrechoque) de interesses, podemos perceber, ao longo do século XX, o esforço realizado pelos empresários do entretenimento para se apropriarem da imagem de Jesus Cristo. Enquanto ela se mantivesse somente no âmbito religioso ela se manteria “intocada”, distante de adições ou manipulações fora do contexto sacral. No entanto, no processo de adaptar a Vida de Cristo para o Cinema e depois para a TV, tendo em vista as necessidades do meio, a imagem de Jesus Cristo acabou por fim se tornando de “domínio público”.

Alterações fictícias de Jesus

No início da história do Cinema, Jesus era o Filho de Deus, cuja representação por um homem que não fosse de origem divina como ele, poderia ser questionada. Atualmente, Jesus é uma personagem do Cinema, diferente – e talvez até um pouco distante – do Cristo do universo das Igrejas. Ele pode ser apresentado se “casando” (A última tentação de Cristo, 1988) ou como um “Clown” (Godspell, 1972). Essas alterações fictícias da sua vida e personalidade sempre causarão mal-estar. No entanto, elas só se tornaram possíveis porque os meios de comunicação venceram o embate pela imagem de Jesus Cristo. Mas isso não os tornou donos de “Cristo”, pois um dos resultados importantes deste processo é o fato de que os “fiéis” sabem distinguir bastante bem entre o “Cristo da Fé” e o “Cristo Cinemático”.

Creio que, neste embate entre empresários do entretenimento e religiões institucionalizadas, todos ganhamos de alguma forma. A imagem de Jesus Cristo se tornou ainda mais plural e suas várias representações se tornaram como que um exercício para os fiéis, através do qual ele reconhece o “Cristo” que está mais em conformidade com o seu coração.

IHU On-Line - Por que considera os filmes A vida e a Paixão de Cristo - A paixão da Pathé, Vida de Cristo – A paixão da Gaumont e Da manjedoura à cruz os três mais importantes sobre a vida de Cristo no Primeiro Cinema?

Luiz Antônio Vadico - A Paixão da Pathé, de 1902/3, dirigida por Ferdinand Zecca e por Lucien Nonguet, importa em primeiro lugar por ter se tratado de um filme que foi realizado a partir de um esquema industrial de produção e distribuição, o que também é uma inovação para a época. O seu grande sucesso permitiu para a Pathé francesa um lucro imenso, pois foram vendidas milhares de cópias, coisa que permitiu alavancar a produção de diversos filmes realizados posteriormente. Além disso, o esforço estético ocorrido, e que foi muito apreciado, levou ao surgimento de uma nova produtora, empenhada em produzir obras de alta qualidade, chamada Film d’Art, que marcaria bastante a produção cinematográfica daqueles anos.

O sucesso da Paixão da Pathé repercutiu não somente na estética, mas também no aumento do custo dos filmes e do tempo de duração das novas produções. Além disso, o filme trazia algumas inovações, como a utilização do movimento de câmera, e já algumas situações fictícias na trama envolvendo Jesus.

Paixão da Gaumont

A Paixão da Gaumont, de 1906, se opõe, em parte, àquela produção, pois esteticamente está propondo uma imagem mais realista dos momentos decisivos da Paixão de Cristo. Há uma busca bastante séria em se fazer um adequado contexto histórico e social da vida de Jesus; a sua diretora, Alice Guy, tem no pintor francês James Tissot seu principal inspirador; principalmente por causa do extenso trabalho de pesquisa e levantamento realizado por ele na Palestina e no Egito. Podemos também sentir a influência de Zecca sobre essa nova produção, pois o mesmo diretor deixou a Pathé, em 1904, e acabou por trabalhar na Gaumont por algum tempo, e sua influência pode ser sentida com bastante clareza nas cenas relativas à Ressurreição de Jesus Cristo.

Da Manjedoura à Cruz

A estética de Tissot pode ser vista ainda muito mais claramente em Da manjedoura à cruz, de 1912, sob a direção de Sidney Olcott – produzido pela Kalem Company -, cujo principal mérito é ter sido o primeiro filme sobre a Vida de Jesus Cristo inteiramente rodado na Palestina.

Mas os fatores que unem as três produções de fato são a estética e o sucesso de vendas e público. A Paixão da Pathé foi o primeiro a dar um passo importante, melhorando os cenários, a movimentação em cena e buscando dar espacialidade aos diversos planos; escolheu uma estética mais “naif”, pois as imagens representadas lembravam muito as pinturas de santos nas paredes das igrejas católicas; A Paixão da Gaumont se impôs pelo realismo sem ingenuidades, acertando em cheio no gosto do público do início do século XX; e ampliando este quesito, Da manjedoura à cruz, faz a suprema proposta de “realismo” ao filmar a Vida de Cristo no lugar onde ela transcorreu.

Acredito que essas razões são suficientes para que possamos compreender a importância e o impacto que estes filmes tiveram sobre a época e sobre a história do desenvolvimento da prática cinematográfica.

IHU On-Line - Como o corpo de Cristo é representado nessas produções?

Luiz Antônio Vadico - O Corpo de Cristo possui um lugar central em nossa cultura. Então, sempre é de interesse observar como ele vem sendo mostrado e trabalhado nos diversos filmes. Nestas três produções ocorre uma modificação visual importante. Nos filmes de Peça da paixão, que surgiram a partir do ano de 1897, o corpo de Jesus e mesmo o de todos os outros personagens apareciam recobertos por uma espécie de maiô, e sobre ele os atores colocavam as roupas do figurino. No entanto, este maiô de algodão branco acabava por fazer dobras sobre o corpo dos atores, o que resultava em algo pouco elegante. Não sabemos dizer ao certo se eles utilizavam este maiô por uma questão de pudor ou se era para abrigar os atores do frio, pois com a diferença de muitos poucos anos a prática foi abandonada. O primeiro filme em que o corpo de Jesus aparece semidesnudo é A Paixão da Pathé, e isso não causou nenhum constrangimento; o mesmo foi feito pelas outras duas produções já citadas anteriormente.

De 1902 até 1912, ocorre um claro progresso na manipulação do Corpo de Cristo, pois num primeiro momento este corpo pode aparecer semi-nu e depois este corpo pode ser flagelado à exaustão, como foi no caso de Da manjedoura à cruz. O corpo de Jesus neste período é bem o corpo do sacrifício, o corpo do cordeiro que pode ser sacrificado para retirar os pecados do mundo. A violência aplicada ao extremo sobre o seu corpo só veria real concorrência num período bastante posterior, com The passion, de Mel Gibson, 2004.

IHU On-Line - Em que sentido essas produções influenciaram os filmes que foram feitos posteriormente sobre a vida de Cristo?

Luiz Antônio Vadico - Há um fenômeno bastante interessante que ocorre nos filmes de Cristo. Como a história é conhecida e é basicamente a mesma, em geral os produtores e ou diretores conhecem as produções realizadas até o momento em que decidem fazer as suas próprias. Isso faz com que haja um diálogo entre estes diversos filmes, onde ou ocorrem referências ou a experiência dos antecessores é aproveitada. Este é um dado importante, onde algum filme tenha cometido alguma “gafe” e tenha sido criticado pela sociedade, o filme posterior se esforçará em não cometer o mesmo erro.

Como comentamos anteriormente, a Paixão da Pathé teve influência direta na Paixão da Gaumont, sobretudo por que ambas eram empresas concorrentes. Quando Alice Guy realiza o seu filme ela tem a estrita missão de “opor” uma paixão àquela realizada pelo rival. Esta luta pelo mercado consumidor possibilitou o surgimento de duas ótimas produções que possuem estéticas bastante diversas e que coexistem no mesmo período de tempo, na primeira década do século XX. O sucesso dos três filmes, que continham a “Cristologia” do “Servo Sofredor” em si, e a completa ausência de críticas sérias ao seu conteúdo, acabou animando outros produtores a adotarem e manterem o mesmo formato e conteúdo ao longo dos anos, coisa que somente foi de fato rompida após a Segunda Guerra Mundial, na década de 1950, com as novas produções que serão realizadas para a TV, como O Cristo vivo, da produtora americana Cathedral, e Os mistérios do Rosário produção hispano-americana, realizada sob os auspícios da organização O Rosário em família, do conhecido Pe. Patrick Peyton.

IHU On-Line - Que valores cristãos e humanos se sobressaem nessas produções?

Luiz Antônio Vadico - Nestas três produções especificamente, não há preocupação com “valores humanos”, pois ao menos nas duas primeiras, não há grande possibilidade de informação dramática, pois nem se usavam intertítulos ainda. Tanto na Paixão da Pathé quanto na da Gaumont, o esforço recai sobre a questão Cristológica, se está contando a estória da “redenção”, como o Filho de Deus encarnou na Terra para ser sacrificado para redimir a humanidade dos seus pecados. A redenção da humanidade surge como o maior valor cristão ali contido. Toda e qualquer outra referência nos filmes se apagam diante desta. A caridade ou a fé não são temas teológicos abordados se não de maneira bastante indireta.

Além disso, os produtores, até onde temos notícias, não estavam de fato preocupados com a representação de “valores humanos” ou “cristãos”. Eles desejavam contar a Paixão de Jesus Cristo de uma forma extremamente atraente. Então, para os três casos, a estética foi um quesito mais importante do que os valores cristãos ou humanos, e esta foi bastante bem cuidada. Os três filmes tiveram versões coloridas. No caso dos dois mais antigos, foram coloridos à mão, fotograma por fotograma, e no caso de Da manjedoura à cruz, o processo foi químico, através da escolha de cores como azul, verde, sépia ou vermelho, eles realizavam a chamada “tintagem” e ou a “viragem”, que coloriam da mesma cor extensas áreas do filme. O azul era utilizado para informar ao espectador que a cenas se passavam à noite, por exemplo.

Em outras palavras, desde a escolha dos cenários, à tecnologia usada e ao processamento final da imagem, eles estavam interessados, sobretudo, em produzir algo que fosse Belo e atraente. Os valores humanos não estavam exatamente na ordem da boa qualidade de representação cinematográfica.

IHU On-Line - Que elementos das artes pictórica e gráfica migram para o cinema? E que significado essa estética adquire?

Luiz Antônio Vadico - Vários elementos migram da arte como um todo para o cinema. Formalmente, os princípios de composição dos objetos dentro do quadro; a perspectiva, longamente elaborada no contexto do Renascimento Cultural, é tratada com bastante cuidado na elaboração dos diversos planos de um filme, principalmente quando se trata de organizar o plano-dentro-do-plano; a utilização das cores, quer fosse como puro elemento estético, quer fosse por razões simbólicas, também migra das Artes pictóricas para o Cinema.

No entanto, a influência que se pode sentir de forma mais rápida e simples é a da escolha dos diretores pela utilização da obra deste ou daquele pintor como suporte estético para o seu filme. Isso implicará na escolha de um determinado estilo de iluminação, cores, composição e organização da cena. Isto pode ser visto claramente, no caso da Paixão da Pathé, em que a organização das cenas está mais próxima daquilo que era feito por Gustave Doré, no âmbito da ilustração bíblica do século XIX; ou como, no já citado caso de James Tissot, utilizado na Paixão da Gaumont no quesito estética e em Da manjedoura à cruz foi ainda utilizado com sentido narratológico.

Quando os cineastas recorrem à utilização de recursos, citações, ou até mesmo absorção da obra pictórica inteira de um determinado artista, estão sobretudo buscando encontrar no espectador a familiaridade necessária para uma boa recepção da sua obra. No quesito Paixão de Cristo, grandes mestres da pintura deram a sua contribuição ao longo da história. E o público em geral está bastante familiarizado com estas imagens que advém da arte sacra. Ver um filme que se parece com elas, de acordo com os diretores e alguns teóricos, permite que o espectador se sinta mais confortável diante daquilo que já é conhecido.

Beleza das imagens

A este raciocínio temos apenas a opor que se o produtor ou o diretor não forem bem-sucedidos neste processo, a familiaridade do espectador fará com que críticas se levantem imediatamente, relativamente à qualidade do filme rodado. George Stevens, em A maior história de todos os tempos, de 1965, foi um dos diretores que mais se preocupou com a beleza das imagens. Sua câmera ocupou-se, sobretudo, da composição e do enquadramento das paisagens. A crítica que acabou resultando por causa do seu excessivo uso, foi de que ele havia feito um filme baseado em “cartões postais”.

É interessante notar que esta “contaminação” que ocorre entre as artes faz com que se veja na tela do cinema, coisas que foram “normatizadas” em meados da Idade Média, como o Manto Azul e o Véu Branco da Virgem Maria. Em boa parte dos filmes, é com essas cores que ela vem representada. Em compensação as “contaminações” também se dão em sentido contrário. O manto de Jesus, que não havia sido vermelho até o surgimento do filme O manto sagrado, passou a exibir frequentemente essa cor desde então, seja na pintura, seja no próprio cinema.

IHU On-Line - Qual é o sentido de celebrarmos a Páscoa em nossa sociedade?

Luiz Antônio Vadico - Essas duas últimas questões são muito delicadas para serem respondidas por mim na condição de pesquisador, pois elas se referem a um contexto que, sobretudo, parece pedir um teólogo. No entanto, gostaria de respondê-las para além do âmbito acadêmico, apelando para minha própria subjetividade, se é que poderei ajudar de alguma forma nisso. A minha pergunta é se esta questão faz “sentido”. Para os cristãos, há completa pertinência em se comemorar a Páscoa, sempre houve, há e haverá. É no âmbito do Cristianismo que a celebração surge e enquanto houver Cristianismo fará sentido para o seu seguidor celebrar a Páscoa. Não consigo ver com espanto o fato de que nem todas as pessoas compreendem o sentido da Páscoa e, por isso, a comemoram de forma diferente, ou muitas vezes não lhe dão a menor importância. Se uma parte da sociedade, desligada – ou não – dos valores cristãos prefere coelho e chocolate na Páscoa, tudo bem, isso é com eles. Aqueles que preferem celebrar a Ressurreição de Jesus Cristo devem fazê-lo. O que acho difícil é que procuremos fazer um “Cristo de chocolate” que possa ser suficiente para todas as necessidades. Não, não pregaremos o coelho na cruz e nem faremos um Jesus de Chocolate.

Várias Páscoas

Acredito que Jesus ensinou claramente o caminho quando disse: “vós não sois do mundo”. Por isso, não fiquemos aborrecidos quando o “mundo” não compactuar conosco. Pensemos que atualmente existem várias Páscoas, cada uma com sua legitimidade, seja essa legitimação comercial, religiosa ou cultural, são sobretudo práticas do “mundo”; neste contexto, lembremos que o Cristão dedica-se à obra de Deus e à maior edificação do Espírito. Em essência ele não é do mundo, e sabe que Deus deve ser cultuado em “espírito e verdade”, e ele sabe, ao menos por lógica, que não tem como pedir ao “mundo” que legitime a sua prática.

Atualmente, ser cristão, tanto quanto no período tardio do Império Romano, passa necessariamente por uma escolha pessoal, por uma conversão ou até mesmo por uma reconversão; então, mais do que nunca, para aquele que se encontrou em Cristo, faz todo sentido comemorar e celebrar a Páscoa. “Porque se Jesus não ressuscitou é vã a sua fé”, mas se para nós ele ressuscitou, então celebremos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Antissemitismo e Filmes de Cristo

Hoje tivemos o prazer de ministrar uma palestra para os alunos calouros de Cinema da Universidade Anhembi Morumbi. O assunto: Antissemitismo nos Filmes de Cristo. Apesar de ser algo bastante palpitante e delicado, em nosso país parece carecer um pouco de interesse. Afinal, dizemos que vivemos num país multirracial, multirreligioso e sem preconceitos. Sim, vivemos, não tão colorido quanto queremos que seja, mas infinitamente menos "agressivo" que outros países. Não obstante, cabe a nós não deixarmos que as futuras gerações ampliem preconceitos e discriminações de qualquer espécie. Acho o assunto - antissemitismo - bastante interessante, mesmo que ele não me toque particularmente. No entanto, o povo judeu sofreu - e ainda sofre - perseguição sistemática por tantos séculos que não custa ficarmos mais alguns séculos estabelecendo barreiras para que o preconceito e a perseguição não retornem jamais.
O filme Golgotha, de Julien Duvivier, de 1936, é um destes raros exemplos onde o antissemitismo é pernicioso, presente e destilado com muita sutileza, tão grande sutileza que passa praticamente incólume à críticas na História do Cinema. Trabalho de um cineasta consagrado, um dos três grandes do realismo poético francês, ao lado de Marcel Carné e Jean Renoir, o filme, mais do que uma peça deliberada de antissemitismo é o registro de uma época onde este assunto era caro ao povo francês. Nas palavras do intelectual Michel Marie, para este que vos escreve: Até os judeus eram antrissemitas na França da década de trinta.
Infelizmente essa afirmação não encerra e nem pode encerrar o assunto. Ainda falta um bom artigo que deixe à mostra as vísceras desta última propaganda antissemita que anda solta por aí. Com o tempo o artigo nascerá. Até!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Onde comprar o livro Filmes de Cristo. Oito aproximações.

Bem, como é sabido por todos da área acadêmica, às vezes temos dificuldades com a distribuição e venda dos nossos livros. Tendo em vista isso criei um blog especialmente dedicado ao livro Filmes de Cristo. Oito aproximações, através do qual informo mais sobre o livro, o publico ao qual se destina e também coloquei uma forma de comercialização, através do PagSeguro. Tem dado certo. O link é http://www.filmesdecristo.blogspot.com/ acessem, conheçam, divulguem. Estou a disposição para dúvidas e comentários. Abração

domingo, 3 de abril de 2011

Páscoa IHU 2011

Neste último dia 31 de março tivemos a felicidade de estar com os (as) amigos(as) da Unisinos, em São Leopoldo – RS; participamos do início do evento Páscoa IHU que ocorre todos os anos e é mantido pelo Instituto Humanitas. Fomos muito bem recebidos como sempre, obrigado a todas pelo carinho a Ana, a Cleusa Andreatta, e a Bruna.


Abaixo seguem alguns links onde poderão conferir o excelente trabalho da equipe do IHU:

A Atualidade da Cristologia Fílmica

http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3732&secao=355


Blog IHU As Relações entre Cinema Religião e Audiovisual

http://unisinos.br/blog/ihu/2011/03/30/as-relacoes-entre-cinema-religiao-e-audiovisual/


Curtam também a excelente matéria: Cristo no cinema

http://unisinos.br/blog/ihu/category/eventos/

A Mesa Hagiografia Fílmica: A vida dos Santos no Cinema

Na próxima Socine teremos o privilégio de nos sentarmos à mesa novamente com os queridos Angeluccia Habert e Miguel Pereira. Desta vez a idéia do tema partiu da Angeluccia estudar a vida dos Santos no cinema. A Hagiografia que é um antigo gênero literário também acabou por ter seu espaço no Cinema, buscaremos refletir sobre algumas produções relativamente à estética e narrativa. Assim que eu tiver maiores notícias colocarei aqui no Blog os resumos das apresentações. Mas aguardem, tenho certeza de que será bem interessante.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Lançamento do livro: Filmes de Cristo. Oito aproximações.

Depois de muito ensaio eis que iremos lançar um primeiro livro: Filmes de Cristo. Oito aproximações. O evento correrá no Rio de Janeiro no recinto da PUCRJ, casa que sempre nos recebeu tão bem, e onde contamos com amigos queridos como Miguel Pereira e Angeluccia Habert. O lançamento faz parte da programação da Compós, assim como outros livros da área de Comunicação do país.
O livro reúne oito artigos que apresentam o assunto Filmes de Cristo para os pesquisadores e público em geral. Cada um deles com uma abordagem distinta. Com certeza o carro chefe do livro é o artigo Cristologia Fílmica, onde propomos formas e métodos de análise da produção cinematográfica que elabora cristologia através de imagens.

Ainda não tenho imagem do livro, mas ficou bonitinho o danado. A Editora à Lápis caprichou bastante, espero que os amigos curtam, por dentro e por fora. Afinal, cultura acadêmica não dispensa um pouquinho de arte e estética, não é?!

Artigo O Campo do Filme Religioso, aceito no GT Fotografia, Cinema e Vídeo da Compós.

No artigo buscamos estabelecer o que é o filme religioso. Nós definimos e limitamos as características do Campo do filme religioso, tomando-o como um objeto de estudo acadêmico. No texto questionamos a relação direta que comumente os pesquisadores fazem entre filme religioso e gênero religioso; e nos propomos observá-lo como um campo, com características próprias, no qual diversos gêneros se encontram reunidos. Por fim, negamos a existência do gênero religioso, e substituímos essa idéia pela de Campo do Filme Religioso.

O assunto será apresentado no tradicional GT Fotografia, Cinema e vídeo, sob coordenação da profa. Dra. Bernadette Lyra. Será um momento muito oportuno para debatermos as idéias novas que contém o artigo, uma vez que ele também será o abre-alas do livro novo O Campo do Filme Religioso, que desejamos publicar ainda neste ano e quiçá no Encontro da Socine (Sociedade de Cinema e Audiovisual); é uma oportunidade excelente, pois a discussão com colega da área podem levar ao aclaramento e explicitamento de novos problemas e idéias. Enfim, o prazer da ciência.

Mesa “A Santificação e Seus Rituais Fílmicos” - XIV ENCONTRO ANUAL DA SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) – que se realizará em Recife na UFPE – outubro/2010

No próximo Encontro Socine, novamente teremos o prazer de apresetarmos trabalho junto aos queridos Miguel Pereira e Angeluccia Habert. Nossa mesa da última Socine foi muito feliz, o público, as discussões e as profícuas trocas que se seguiram. Novamente o tema do Cinema, audiovisual e religião nos unirá. A mesa desta vez leva o nome de “A Santificação e Seus Rituais Fílmicos” e não é por acaso que o termo santificação vem aí colocado. Vejam abaixo os resumos dos textos.

Proponente: Miguel Serpa Pereira - Instituição de vínculo: PUC-Rio
Mini currículo: Professor e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC-Rio. Doutor em Cinema pela USP. Diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio de 1978 a 1986 e de 1999 a 2003. Professor de disciplinas da área de cinema desde 1975, na PUC-Rio. Crítico de cinema do jornal O Globo de 1966 a 1983. Co-organizador do livro "Comunicação, Representação e Práticas Sociais" (2004), co-autor do livro "O Desafio do Cinema". Autor de inúmeros artigos em periódicos nacionais.

Título: A Santificação pelo Sangue do Inocente em "Abril despedaçado", de Walter Salles
Resumo: Tomando Abril despedaçado (2001), de Walter Salles, como objeto, pretendemos analisar nessa obra os elementos que constroem sua narrativa como um relato bíblico, em que o sangue do inocente redime e salva uma pequena sociedade num estado de quase decomposição moral. A construção dos afetos, a opressão familiar, a poética do dia-a-dia e o peso do mal que paira sobre o ambiente conduzem a inúmeras equivalências observáveis nas sociedades contemporâneas.

Resumo Expandido:
O deslocamento espacial para o Nordeste brasileiro, promovido por Walter Salles, ao adaptar para o cinema o livro de Ismail Kadaré, não retira o sentido da tragédia que está no original albanês. Embora usando de sua liberdade criativa para promover e ressaltar elementos da cultura bíblica ocidental, Walter Salles constrói um relato cinematográfico identificado por seu intenso humanismo em contraposição ao absurdo da vendeta, uma verdadeira tragédia, que está no livro de Kadaré. Assim, importa menos o processo de transição do texto literário para o filme e mais os elementos que, no filme, levam aos conceitos bíblicos e ao processo de santificação pela redenção.

No seu Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, André Comte-Sponville arrola dezoito títulos ou nomes que representam e definem o que poderia se chamar de um “homem virtuoso ou santo”. Não que todos esse atributos componham o “homem ideal”, como um tipo a ser modelado. No entanto, mesmo que isso não seja observável no conceito da vida cotidiana, o espaço da transcendência joga uma certa luz sobre essa contradição entre a busca da virtude e transgressão a esse bem que foge à contingência do existir.

Quando Susan Sontag fala da forma da obra como “arte reflexiva”, referindo-se ao cinema de Robert Bresson, entende esse lugar como o “prolongar ou retardar emoções” (SONTAG, 1987), entre tantos outros procedimentos de um estilo espiritual do cinema do cineasta francês. Já Paul Schrader define o sagrado presente em três cineastas de culturas diferentes, Ozu, Bresson e Dreyer, como o transcendente (SCHRADER, 2002).

Abril despedaçado (2001), de Walter Salles, compõe um quadro no qual o processo narrativo colhe elementos constitutivos não apenas da santificação mas do transcendente enquanto elemento do trágico em que se constituem personagens, situações e ambiente físico. É mais do que batido que a Bíblia narra histórias sangrentas. Na verdade, o sangue cristão é redentor dos males. Santifica, pelo exemplo e virtudes, o mundo que se torna símbolo sagrado. Assim, o mal, como a vingança, só é expiado no teatro da tragédia, com o sangue do inocente. O humano mais humano é a relação entre Tonho e Pacu. Mas, o imanente mais transcendente, é o sacrifício redentor. É o santo inocente.
Pretendemos analisar, no texto, como Walter Salles constrói essas relações entre opostos através de uma estética centrada em elementos simbólicos de um percurso de grande rigor estilístico e de uma intensa arte reflexiva.

Bibliografia:
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1982
AGAMBEN, Giorgio. Profanações.São Paulo: Boitempo, 2007
COMTE-SPONVILLE, André. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1996
KADARÉ, Ismail. Abril Despedaçado. São Paulo: Companhia das Letras, 2001
SCHRADER, Paul. Il Trascendente nel Cinema. Roma: Donzelli, 2002
SONTAG, Susan. Contra a Interpretação. Porto Alegre: L&PM, 1987


Proponente: Luiz Vadico - Instituição de vínculo: UAM
Mini currículo: Prof. Dr. Luiz Vadico - Historiador e Escritor - graduado em História/IFCH - UNICAMP – Doutor em Multimeios/IA - UNICAMP. Prof. Titular do Mestrado em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi, SP. Participa dos Grupos de Pesquisa: Religião e Sagrado no Cinema e no Audiovisual; e Formas e Imagens na Comunicação Contemporânea. Pesquisa atual: Três Paixões: Pathè, Gaumont e Kalem (1902-1912). Um estudo comparado entre as três produções mais importantes sobre a Vida de Cristo no Primeiro Cinema.

Título: A Santificação do Filme: o produto e o evento.
Resumo: Na apresentação verificaremos o processo de santificação pelo qual o produto midiático religioso passa. Observamos isso através do comportamento dos produtores e atores (Cecil B. DeMille, Sidney Ollcott, Mel Gibson, George Stevens, etc) durante o processo de feitura do filme e do comportamento dos espectadores diante do seu visionamento. Observamos ainda o aspecto de uso social do produto midiático, e discutiremos o conceito de Arte Sagrada de Burkhardt em relação ao filme religioso.

Resumo Expandido:
Ao estudarmos o Campo do Filme Religioso chamou-nos atenção os vários aspectos que relacionavam algumas das suas produções com o processo de elaboração da Arte Sacra. Este tipo de arte, normalmente associado às igrejas e às manifestações religiosas em geral, conhecida pelas suas representações na pintura, escultura e música, não se traduzia num conceito eficiente para explicarem os comportamentos que encontramos ao longo da história dos filmes religiosos. Buscamos então, dialogar com um teórico pouco explorado e pouco convencional, Titus Burckhardt, filósofo e escritor suíço-alemão. Em seu livro, A Arte Sagrada no Oriente e no Ocidente - Princípios e métodos (1959), buscou estabelecer o conceito de Arte Sagrada, o qual discutimos no início deste trabalho.

Nem todos os filmes do Campo do Filme Religioso passam pelo processo de “sacralização” ou “santificação”, mas ele ocorre e reflete uma tradição comportamental bastante antiga. Este comportamento já havia sido observado durante a Idade Média, e em alguns outros momentos da história, os artistas ao realizarem o seu trabalho preocupavam-se em fazê-lo como um ato sacral (Burckhardt, 2004: 19), jejuavam, oravam, meditavam sobre os símbolos adequados a serem utilizados, em busca de uma inspiração que viesse de Deus para que a representação pudesse dignamente manifestar o sagrado e permitir com ele um contato. Os ícones bizantinos, gregos e russos são um bom exemplo deste tipo de produção (Gharib, 1997). Também os pintores do século XIX chamados de Pré-Rafaelitas buscaram este “estado especial” para realizarem suas obras (Argan, 1992: 103).

Na pesquisa, ao longo da história do cinema, observamos vários aspectos deste fenômeno, os gestos – e a intenção - de santificação em torno do produto midiático, visto como processo, produto, e uso. Analisamos um extenso conjunto de filmes, do qual destacamos “Da Manjedoura à Cruz” (Ollcott, 1912), “O Rei dos Reis” (DeMille, 1927), “Os Dez mandamentos” (DeMille, 1926/1956), “A Maior História de Todos os Tempos” (Stevens, 1965) e “A Paixão de Cristo” (Gibson, 2005). Primeiramente verificamos o desejo de criar um objeto “puro” através de um comportamento “puro” (produtores, diretores, atores, técnicos, etc) diretamente relacionado ao sagrado, vimos também as formas empregadas para tanto. Verificamos que a “santificação” se estendeu também ao local de exibição e notamos a transformação de um território profano, num espaço relativo às coisas do sagrado. E, bastante relacionado a este fato, mas não a ele atrelado necessariamente, o aspecto do evento, como uma forma de emprestar santidade ao produto midiático.

Expandindo essas primeiras conclusões, pudemos perceber o importante dado da temporalidade, como se estabeleceu uma estreita relação entre o produto midiático e o calendário litúrgico e para além disso, com a duração do tempo da projeção, onde se instaura uma temporalidade típica do sagrado. E, enfim, o último aspecto, mas que se encontra estreitamente relacionado a todos os outros, aquele que dá um fim social a este produto, o do seu uso para a benemerência, que observamos, tem mão dupla, qualifica e santifica o promotor do evento e qualifica sacralmente o uso que se faz do objeto midiático.

Não iremos especular sobre o estranho fato de que o filme, como um produto objetificável não se torna de forma alguma em algo santo. Ele não passa por um processo de fetichização coletiva. Mas, como vimos, o fato é que o produto midiático do Campo do Filme Religioso provoca comportamentos e usos semelhantes aos da Arte Sagrada.

Bibliografia:
BAUGH, L. 2000. Imaging the Divine. Jesus and Christ-figures in Film. Franklin, Sheed & Ward, 338 p.
BURCKHARDT, T. 2004. A Arte Sagrada no Oriente e no Ocidente. Princípios e métodos. São Paulo, Attar Editorial, 266 p.
TATUM, B. 1997. Jesus at the Movies. Guide to the First Hundred Years. Santa Rosa, Polebridge Press, 245 p.
VADICO, L. 2006. “Os Filmes de Cristo no Brasil. A Recepção como fator de influência estilística”, in: Galáxia. v. 6 n.11. São Paulo, PUC-SP – EDUC, pp. 87-103.

Proponente: Angeluccia Bernardes Habert - Instituição de vínculo: PUC/Rio
Mini currículo: Angeluccia Bernardes Habert é doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, Mestre em Ciências Sociais pela FFLCH/USP e é professora do programa de Mestrado em Comunicação Social da PUC-Rio. É autora de "A fotonovela e a Indústria Cultural" e "A Bahia de outr'ora, agora", pesquisas sobre cinema documentário e sobre cinema e religião.

Título: A questão moral e a experiência em dois filmes contemporâneos
Resumo: Investiga-se, a partir de A Serious Man (Um homem sério), 2010, de Joel e Ethan Coen e Einaym Pkuhot (Eyes Wide Open ), 2009, de Haim Tabakman, como a presença de um olhar de estranhamento desloca certezas e aflora desejos, duplamente, na ação diegética e na recepção. Discute-se a implicação paradoxal - que precipita uma outra forma de leitura que não a usual, transparente, muito de acordo com a técnica exegética “não leia sempre igual”, dos estudiosos do Talmud.

Resumo Expandido:
Investiga-se, a partir de A Serious Man (Um homem sério), 2010, de Joel e Ethan Coen e Einaym Pkuhot (Eyes Wide Open ), 2009, de Haim Tabakman, como a presença de um olhar de estranhamento desloca certezas e aflora desejos, duplamente, na ação diegética e na recepção. Ao reconhecer nesses filmes uma implicação paradoxal, que precipita uma outra forma de leitura que não a usual, transparente, muito de acordo com a técnica exegética “não leia sempre igual”, praticada pelos estudiosos do Talmud, o artigo discutirá santidade, interdição e liberdade. O uso da técnica que soletra ou vocaliza de forma diferente as palavras do texto não desconhece o sentido existente subjacente, mas proporciona novas e múltiplas interpretações.

O filme dos irmãos Coen inicia-se com uma frase do famoso rabino Rashi: “Receba com simplicidade tudo o que lhe acontece”. Segue-se uma cena fantasmástica, atemporal e decorrida em uma aldeia européia que pode ser lida com diferentes vocalizações e inquieta o espectador convencional, como uma peça que não se encaixa. Em seguida, ouve-se música moderna, enquanto um grande close mostra um auricular e um ouvido e situa a ação em uma escola hebraica, no centro dos Estados Unido, nos anos cinqüenta. Uma comédia cáustica, uma sátira cruel, lerão críticos e espectadores que acompanham o personagem, Larry, levado por um turbilhão de acontecimentos que não controla, aturdido e atarantado. Presente em sua perplexidade está o desejo de reconhecer a verdade última das coisas. Presente está a sua passividade estóica, que recebe os males sem revolta, até ao final, quando um tornado virá a seu encontro e ele nada perceberá. Um Job contemporâneo, pergunto?

A pedagogia moral das pequenas historias da tradição judaica transformou- se em instrumento de crítica e de acomodação à realidade banal e adversa, forte expressão de humor e ironia no mundo contemporâneo. Ilustração permanente da angústia do absurdo da condição humana, nunca deixou, ainda que distante do universo das aldeias e das comunidades religiosas, de ser expressão da dúvida e da pequenez humana frente ao grande.

O filme de Haim Tabkman se inscreve em outro registro estilístico, uma obra com olhar quase documental, com uma câmera de observação que espera e colhe com precisão os gestos e os detalhes do que encena. A poesia e o ritmo contido envolvem o registro deste cotidiano em uma beleza que extrapola o circunstancial.

Localizado em um bairro de judeus ortodoxos em Israel, o filme descreve um entorno de pessoas que experienciam, dia a dia, os preceitos religiosos e o estudo dos Livros Sagrados . Na cena inicial, a câmera espera para registrar, com paciência, uma ação corriqueira, que parece se prolongar no tempo, e prepara a expectativa de algo que acontecerá, sempre aos poucos, sem nenhuma preocupação com a velocidade. Preocupa-se em descrever o homem piedoso, um açougueiro religioso (kosher), que procura "amar as dificuldades" e “ser servo de Deus”. A santidade, do ponto de vista religioso, constitui-se nas boas obras, nos preceitos a serem obedecidos e no estudo dos Livros Sagrados. Mas a felicidade e o prazer que são prometidos ao homem bom parecem surgir na visita daquele jovem viajante e no desejo que ele lhe desperta.

O amor entre dois homens religiosos leva à discussão da interdição e do pecado. Em meio à paixão que aumenta, o homem mais velho negligencia o trabalho, a família, a comunidade religiosa e seus preceitos. Uma cadeia de transgressões e de omissões o leva enfim ao pecado maior. Novamente, defronta-se o espectador com uma historia que inquieta e não fecha. Se este é um filme que exorta a relação de amor entre dois homens como a felicidade prometida, a construção do filme - no ambiente de relações tão orgânicas e entrelaçadas - apresenta também uma discussão de responsabilidades rompidas e de omissões, que de forma alguma ultrapassará a beleza e o reconhecimento da libertação feita sobre o cotidiano insuficiente.

Bibliografia:
BUBER, Martin. Histórias do Rabi. São Paulo: Perspectiva, 1967.
CAILLOIS, Roger. O Homem e o Sagrado. Lisboa: Edições 70, 1988.
CERTEAU, MICHEL. Le Lieu de l’autre – Histoire religieuse et mystique. Paris: Gallimard/ Seuil, 2005
PUCHEU, Alberto. Nove abraços no inapreensível – filosofia e arte em Giorgio Agamben. São Paulo: Cultura Dinâmica, 2008.
SEDLMAYER, Sabrina, GUIMARÃES, César e OTTE, Georg (orgs.) O Comum e a experiência da linguagem. Belo Horizonte: Ed.UFMG, 2007.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Entrevista Especial no IHU

O Instituto Humanitas, ligado a Unisinos de São Leopoldo, convidou-nos para uma entrevista. Está on-line. Nela vesamos sobre várias questões relativas a cinema contemporâneo e religião, inclusive sobr "Avatar". Os que tiverem curiosidade, visitem o site: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=92&task=detalhe&id=28880

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Lembrar Jesus - Feliz Natal!!

Lembrar de Jesus é sobretudo lembrar do melhor do humano, divido com vocês as coisas que se mantêm na minha memória e no meu coração:
“Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados que eu vos aliviarei...”
“Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”
“Bem aventurados os pacificadores, pois serão chamados de filhos de Deus”
“Bem aventurados os misericordiosos, pois receberão misericórdia...”
“É necessário que venham os escândalos, mas ai daquele por quem eles venham...”
“Ai de vós, Escribas e Fariseus, hipócritas! Porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!”
“Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.”
“Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.”
“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés, e, voltando-se, vos dilacerem.”
“Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.”
“É necessário que o joio e o trigo cresçam juntos, até a colheita...”
“Sois o sal da Terra. O sal é certamente bom; caso porém se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor? Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir ouça.”
“Pedi, e dar-se-vos-à; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.”
“Onde está o teu tesouro, ai está o teu coração.”
“Cuida para que os teus olhos sejam bons...”
“Porque me chamais bom? Bom é o Pai que está nos céus!”
“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas do velador, e alumia a todos que se encontram na casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens...”
“Quem desejar ser o maior deve ser o servidor de todos...”

"Fazei isso em memória de mim..."
Do tempo da infância à idade adulta, isto foi tudo o que sobrou de Jesus em mim. A cada experiência nova estas palavras faziam mais sentido ou ganhavam outros e novos sentidos, até a plenitude do seu significado... A doçura e a firmeza de Jesus... Feliz Natal, há pouca coisa que um escritor possa acrescentar a tudo isso.


Luiz Vadico

As parábolas não esquecidas:
“A dracma perdida...”
“O semeador...”
“O Reino dos Céus como o levedo...”
“A pérola de grande valor”
“O óbolo da viúva”

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Os Pesquisadores do Grupo


Abaixo citamos em linhas gerais o trabalho de cada um dos pesquisadores e seus interesses.
Linha1:
Celina Paiva:
Busca compreender as múltiplas facetas da violência contemporânea e o sagrado.
Ilca Moya: Pretende aprofundas os estudos nas relações entre Sexo e Sagrado.
Geraldo de Lima: aprofunda suas pesquisas no campo dos mundos paralelos e examina os mundos propostos pelo sagrado.
Karyna Berenguer: aprofunda as relações do sagrado e da religião na obra de Andrei Tarkovsk.
Wilson Ferreira: Aborda a questão do Gnosticismo no cinema Contemporâneo.

Linha2:
Angelúcia Habert: seu último trabalho analisava os gestos das benzedeiras no documentário de Andréia Tonacci. Situando-se nas relações antropológicas do tema.
Luiz Vadico: Estuda estética, narratividade e formação dos Filmes de Cristo, e desenvolve trabalho com o Campo do Filme Religioso.
Daniel Paes: Verifica a influência Católica no Cinema através das Revistas de Crítica cinematográfica mantida pelas instituições religiosas.
Marcos Brandão: aprofunda o tema da redenção e do sacrifício e as suas influências estéticas e narrativas nos musicais.
Miguel Serpa Pereira: Aprofunda as discussões relativas ao Cinema praticado por cineastas cristãos.

Criação do Grupo de Pesquisa "Religião e Sagrado no Cinema e no Audiovisual"


Em Outubro de 2009, após alguns anos de espera, conseguimos junto a amigos queridos criar o Grupo de Pesquisa “Religião e Sagrado no Cinema e no Audiovisual”. A finalidade é ampliar, incentivar e divulgar a pesquisa na área. Contando com pessoas criativas e repletas de novos métodos e ângulos de abordagem, esperamos que este grupo venha a crescer e a multiplicar os estudos acadêmicos desta que é uma das áreas mais carentes de pesquisas contínuas e organizadas do país. Todos os envolvidos buscam ser isentos quanto aos aspectos envolvidos no que diz respeito tanto à religião quanto aos areligiosos. Isenção difícil de se conseguir, mas desejada e praticável. Abaixo segue a proposta do Grupo.

Grupo Religião e Sagrado no Cinema e no Audiovisual.
Dedica-se ao estudo das diferentes manifestações da Religião e do Sagrado no cinema e no audiovisual. O objetivo é compreender a forma como as diversas práticas religiosas lidaram e se apropriaram dos meios de comunicação, bem como buscar entender a experiência que permite a sobrevivência de fragmentos do discurso religioso, e do sagrado, na contemporaneidade. Essa compreensão passa pela busca de novos métodos de análise que permitam disponibilizar maneiras adequadas a todos os pesquisadores para lidarem e reconhecerem as várias facetas dos veios religiosos.
Os produtos audiovisuais, cinematográficos e midiáticos de maneira geral, poderão ser oriundos de confissões religiosas ou não. A religião e as práticas relativas ao Sagrado são um campo bastante amplo que merecem a dedicação e especialização de pesquisadores em seu estudo cuidadoso. Fazemos uma diferenciação entre Religião e Sagrado, no sentido de colocar no primeiro grupo as práticas relativas às religiões institucionalizadas, seus representantes e aqueles que de forma indireta filiam-se aos seus preceitos; no segundo grupo se instauram todas as práticas percebidas como fazendo parte do pensamento relativo ao Sagrado, como por exemplo: mitologias, narrativas míticas, referências fragmentárias de elementos religiosos, etc. Esta abertura ampla dos mais variados temas e assuntos é vista como necessária para que o diálogo entre os diversos pesquisadores possa se estabelecer de forma criativa e ao mesmo tempo enriquecedora.
Os envolvidos no grupo utilizam diferentes formas e métodos para a análise dos produtos midiáticos, no mais diversos campos, desde a história, teologia, elementos do sagrado, até a análise fílmica propriamente dita. Faz parte do cotidiano da pesquisa observar narratividade, estética, confluências tecnológicas, contribuições, re-apropriações, releituras e transformações no universo religioso via diálogo com as práticas comunicacionais.
O Grupo tem sede na Universidade Anhembi Morumbi. Participam pesquisadores de diversas instituições universitárias, inclusive alunos de cursos de pós-graduação e de graduação. Os trabalhos dos participantes são apresentados em Congressos, Seminários e Encontros, ligados à área e de áreas afins, tais como Intercom, Compós, Socine, e outros. Além disso, são publicados em anais e coletâneas da área.
Linhas
Sagrado, Cinema e audiovisual: Estuda as fronteiras, apropriações e reapropriações, novas formas de manifestação, elementos relativos à sobrevivência do Sagrado nas narrativas e estéticas contemporâneas, bem como a apropriação que o universo midiático faz destes elementos em suas práticas e produtos, e como estes produtos permitem e instauram novas formas de manifestação do Sagrado.
Religião, Cinema e Audiovisual: Estuda a assimilação e o uso pelas religiões institucionalizadas dos meios comunicacionais, a apropriação das religiões e suas práticas pelas mídias massivas, as migrações dos símbolos, ritos e narrativas tradicionais para os novos meios, bem como o discurso teológico propiciado por estes. São pesquisados produtos de origem confessional ou a ela relacionados, além dos não confessionais.

Criation of the "Group Religion and Sacred in Film and Mass Media!


Is dedicated to the study of various manifestations of religion and the sacred in film and in mass media. The goal is to understand how the various religious practices deal and have adapted to the media, and seek to understand the survival of fragments of religious discourse, and the sacred in contemporary society. Hopes are also developing new methods of analysis that could benefit researchers.
The objects of research are film and media products, it may be of religious origin or not. The religion and practices relating to the Sacred is a very broad field of study, and deserve the dedication and expertise of researchers, so there is progress in their study. We make a distinction between Religion and Sacred, we put in the first group practices concerning institutionalized religions, their representatives and those of indirect way filiam up to its precepts; in the second group we put all the practices perceived as part of the thinking on the sacred, such as mythology, mythical narratives, fragmentary references to religious elements, etc.. The opening of several broad themes and issues is seen as necessary for the dialogue among researchers can be so creative while enriching.
The researchers involved in the group use different forms and methods of analysis of media products, going from history, theology, elements of the sacred, to the filmic analysis. In the research we look at the narrative, aesthetic, technological convergence, contributions, appropriations, rereading, and religious transformations in the universe via dialogue with the communication practices.
The Group is headquartered at the University Anhembi Morumbi. Join researchers from several universities, including students of post-graduate and graduate. The work of the participants are presented in meetings and seminars, related to the area and related areas, such as Intercom, Compós, Socine, and others. Also, are published in the collection and anal area.
Lines
Sacred, Cinema and Audiovisual: Study borders, appropriations, new forms of expression, elements relating to the survival of the Sacred in the narratives and contemporary aesthetic. There is also the world media appropriates these elements in their practices and productes, and how these products introduces new forms of expression of the Sacred. Researchers:
Religion, Cinema and Audiovisual: Study how the institutional religions assimilates the new media, we verifies like the media ownership of religions and their practices. in the search seeks the migration of symbols, rituals and traditional narratives for new media, is also studying how the theological discourse arises through the mass media. Are objects of research confessional products or related to it, besides the products of non-denominational. Researchers:

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Cinema e o Sagrado: Redenção - XIII Socine

O XIII Encontro Socine, realizado na ECA/USP em São Paulo, entre os dias 06 e 10 de outubro, organizado pela Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual foi muito proveitoso. Cabe sempre elogios à organização deste evento, reuniu de forma bastante efetiva os diversos profissionais da área. É um encontro que nos permite rever amigos e colegas pesquisadores e permite sempre arejar as idéias.
Tivemos oportunidade de participar da mesa: O Cinema e o Sagrado: Redenção; da qual fizeram parte a profa. Angeluccia Bernardes Habert, apresentando “Benzedeiras de Minas: sutileza na invenção e nos gestos”, e o prof. Miguel Serpa Pereira, fazendo a comunicação “A transgressão e o ritual salvífico no cinema de Robert Bresson”. A mim coube apresentar “ A Canção de Bernardette: A redenção e a carne”. Desde já deixo de público o agradecimento a estes queridos amigos, sem os quais não seria possível um debate tão oportuno. E, realmente debate foi o que não faltou após a apresentação. O que nos deixa muito felizes pois é prova do interesse que o tema desperta no público.
Aproveito a oportunidade para publicar abaixo o resumo expandido dos dois companheiros:
Proponente: Angeluccia Bernardes Habert
Título: Benzedeiras de Minas: sutileza na invenção e no gesto
Resumo:
Investiga-se a partir de Benzedeiras de Minas (26’, 2008), como o gesto e a invenção provocam imagens intensas no cinema dito documentário. O trabalho irá discutir a salvação, a construção da felicidade, o dom de cura no sentido das práticas terapêuticas serem o resultado de um movimento de troca e de construção simbólica, compartilhada e sustentada no cotidiana. Ao mesmo tempo, enfatizará a tendência contemporânea para um cinema mais poético.
Resumo Expandido:
Com sensibilidade e sutileza, Andrea Tonacci reconcilia, no filme Benzedeiras de Minas (26’, 2008), o olhar etnográfico com a poesia, ao registrar um tema quase que por encomenda. Há na sua trajetória cinematográfica notáveis experiências de linguagem e alguns outros trabalhos institucionais, o que ele denomina de filmes sugeridos por motivações internas e externas. Em todos, procura preservar a intenção de aprender e pesquisar, dando conta de outras formas de ordenações da relação do homem e do acontecimento com o mistério da vida, e sugere ao espectador uma maior liberdade de fruição , ou a oportunidade de construir o caminho para o próprio entendimento. Ao registrar o depoimento de três mulheres, as benzedeiras de Minas, em sua realidade viva e dinâmica, incorporadas à vida cotidiana, a inteligibilidade do que motiva as suas ações ( a fé, o dom, a sabedoria, ou a intuição) só se esclarecerá no âmbito da experiência do espectador. Partidário de uma política estética radical, Tonacci, com simplicidade e com a presença dos objetos da vida comum - para alguns, negaria o religioso e o transcendente- parece restaurar noções paulinas de corpo e de compartilhamento. Investiga-se, assim, a partir de Benzedeiras de Minas, um filme realizado através de um Edital da Secretaria do Ministério da Cultura e a Empresa Brasileira de Comunicação, como o gesto e a invenção provocam imagens intensas no cinema dito documentário. O trabalho irá discutir a salvação, a construção da felicidade, o dom de cura no sentido das práticas terapêuticas serem o resultado de um movimento de troca e de construção simbólica, compartilhada e sustentada no cotidiana. Ao mesmo tempo, enfatizará a tendência contemporânea para um cinema mais poético.
Bibliografia:
BERNARDET, Jean Claude. Cineastas e Imagens do povo. São Paulo: Cia das Letras, 2003. CAILLOIS, Roger. O Homem e o Sagrado Lisboa: Edições 70, 1988 ESCOREL, Eduardo. Advinhadores de água – pensando no cinema brasileiro. São Paulo: Cosac Naify, 2005. HAMBURGER, Michael. A verdade da poesia: tensões na poesia modernista desde Baudelaire. São Paulo: Cosac Naify, 2007. LINS, Consuelo. O documentário de Eduardo Coutinho – televisão, cinema e vídeo. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. SARTORA, Josefina; RIVAL, Silvina (org.). Imágenes de lo real – La representación de lo político en el documental argentino. Buenos Aires: Libraria, 2007.

Mini currículo:
Angeluccia Bernardes Habert é Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, Mestre em Ciências Sociais pela FFLCH/USP, e é professora do Programa de Mestrado em Comunicação Social da PUC-Rio. Diretora do Depto. Com.Social/PUC-RJ, coordena também a pós-graduação lato sensu sobre Comunicação e Imagem. É autora dos livros " A fotonovela e a Indústria Cultural" e " A Bahia de outr’ora, agora" , entre outras publicações, e pesquisa atualmente o cinema documentário.

Proponente: Miguel Serpa Pereira
Título: A transgressão e o ritual salvífico no cinema de Robert Bresson
Resumo:
Na nota breve sobre Bresson, no final da edição portuguesa das Notas sobre o Cinematógrafo, Carlos M. Couto S. C. diz o seguinte: “...e porque em Bresson o vento sopra onde quer, e as noites permanecem as quatro noites de um sonhador, a lógica do filme acaba por conduzir a uma auto-redenção, a uma intemporal ascese, axiomática da salvação”. É exatamente nesse contexto oxímoro que faço a minha reflexão sobre o último filme do realizador francês, O dinheiro.

Resumo Expandido:
O dinheiro, último longa-metragem realizado por Robert Bresson, tem uma singular progressão narrativa. É elaborado como se fosse um ritual litúrgico em que uma nota falsa de 500 francos torna-se o símbolo da conduta humana corroída pelo mal em contraposição do bem. Deleuze aponta essa presença do bem e do mal como inerentes ao jansenismo bressoniniano. Diz ele: “em L´argent o devoto Lucien só exerce a caridade em função do falso testemunho e do roubo que cometeu como condição, enquanto que Yvon só se lança no crime a partir da condição do outro. Dir-se-ia que o homem de bem começa necessariamente aí mesmo onde chega o homem do mal”. As trajetórias dos personagens de O dinheiro se cruzam de modo gratuito e ao acaso. É como se a mesma graça soprasse para o bem e para o mal. Ou por outra, o homem contém em si esses dois caminhos morais que não se excluem na ação humana cotidiana. Como diz ainda Deleuze, “ a resposta de Bresson é a mesma de Mefistófoles de Goethe: nós, diabos ou vampiros, somos livres para o primeiro ato, mas imediatamente escravos do segundo”. O texto vai tentar investigar como a moral capitalista, simbolizada numa nota falsa, torna-se a razão imediata, mas não última da vida contemporânea. Se os valores expressos nas ações humanas não se explicam apenas por culturas particulares, mas por desígnios sobrenaturais, Bresson encarna, em seus filmes, uma crença religiosa consistente e consagradora da vida.

Bibliografia:
AUMONT, Jacques. As Teorias dos Cineastas. São Paulo: Papirus, 2004 BAZIN, André. O Cinema, Ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991 BRESSON, Robert. Notas sobre o Cinematógrafo. Porto: Porto Editora, 2000 CAILLOIS, Roger. O Homem e o Sagrado. Lisboa: Edições 70, 1988. COHEN, Keith. Cinema e Narrativa. Torino: Eri, 1982 DELEUZE, Gilles. A Imagem-movimento. Cinema I. Lisboa: Assírio & Alvim, 2004 OTTO, Rudolf. O Sagrado.Lisboa: Edições 70, 2005 SCHRADER, Paul. Il Trascendente nel Cinema: Ozu, Bresson Dreyer. Roma: Donzelli, 2002. SONTAG, Susan. Contra a Interpretação. Porto Alegre: LPM, 1987.
Mini currículo:
Professor e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC-Rio. Doutor em Cinema pela USP. Diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio de 1978 a 1986 e de 1999 a 2003. Professor de disciplinas da área de cinema desde 1975, na PUC-Rio. Crítico de cinema do jornal O Globo de 1966 a 1983. Co-organizador do livro "Comunicação, Representação e Práticas Sociais" (2004), co-autor do livro "O Desafio do Cinema". Artigos em periódicos como Alceu, Cinemais, Contracampo

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Como se Transformou a Imagem de Jesus Cristo para os brasileiros?

Este texto sucinto nasceu da pergunta de uma reporter da Revista Época, numa entrevista dada recentemente. Achei que ele poderia ser útil aqui também.

A imagem de Jesus sempre esteve vinculada naturalmente ao âmbito das instituições religiosas ao longo dos séculos. A reprodução de alguns episódios da sua estória se dava por encomenda da Igreja ou de alguns nobres; mesmo assim, até mesmo a representação visual que ele tinha e as personagens que o acompanhavam deviam obedecer algumas regras para serem representadas. P. ex. a Virgem Maria, manto azul e véu branco; cada santo ou mártir sempre levaria junto de si o símbolo escolhido pela Igreja; Santa Cecília traz uma bandeja com os olhos; Jesus vem acompanhado do cordeiro; São Pedro com as chaves do céu, etc.
Conforme ao longo dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX, se multiplicavam as técnicas de reprodução de imagens, fossem como gravuras em livros, gravuras vendidas separadamente, santinhos, mais contato o grande público possuía com estes ícones. Muitas vezes elaborados ao extremo simbolicamente falando. Mas, sempre se mantendo ainda no âmbito do mundo religioso. As convenções ainda eram religiosas.
Do final do século XIX e ao longo de todo o século XX isso irá se alterar sensivelmente. O motivo é o surgimento do cinema.De um lado as instituições religiosas buscavam cumprir o seu papel de evangelizadoras e catequizadoras. Do outro, com o surgimento da indústria cinematográfica, as produtoras desejavam atingir o público que freqüentava as igrejas. Pois o cinema era muito mal visto em seu início. Mulheres e crianças não costumavam freqüentar o ambiente onde eram projetados filmes. É de olho nesse público, classe média, que pode pagar entradas mais caras, ou simplesmente engrossar a massa de espectadores, que o cinema vai aos poucos se apropriando da imagem de Cristo.
Ao longo dos séculos XX, o cinema conseguiu retirar a imagem de Cristo do controle puro e simples das instituições religiosas e torná-lo uma personagem do cinema. Esvaziado do controle religioso, e muitas vezes esvaziado do significado transcendental. Ele se transformou num personagem rico que pode ser trabalhado das mais diferentes formas pelos cineastas.
As resistências sociais e religiosas à manipulação dessa imagem sempre existiram em menor ou maior grau. Mas, atualmente Jesus já é uma personagem de cinema.A gravidade deste processo no Brasil pode ser percebida se levarmos em consideração que até a década de 60 e começo dos anos 70 havia uma grande população iletrada no país. A maior parte não lia os textos evangélicos. Mesmo os que lêem têm dificuldade de entender adequadamente o que lêem. Além disso, com exceção do Evangelho de Lucas, nenhum dos textos canônicos conta uma narrativa ordenada dos acontecimentos da vida de Jesus, o que dificulta perceber de fato qual é a sua estória.Em outras palavras, gerações de brasileiros e pessoas em todo mundo aprenderam a estória da vida de Cristo através do cinema, ou mais tarde, através dos mesmos filmes transmitidos pela TV.
A ordem dos acontecimentos, a importância que uns possuem em detrimento de outros, as escolhas de atores, frases evangélicas, textos, e cenários, tudo passou a ser ditado pela conveniência da produção cinematográfica.
Neste processo de tornar “Jesus um personagem do cinema” outras personagens que circundavam por sua estória precisaram ser valorizados. Outros foram deixados de lado e esquecidos. Exemplos disso, são a estória de João Batista,que passou a funcionar como uma sub trama dentro da estória de Jesus – pois ela possui os elementos: intriga, erotismo, violência e morte. Dessa forma a personagem de João Batista e também a de Salomé, que possuem um significado bastante limitado nos textos canônicos tiveram o seu papel e importância bastante ampliado e expandido.
Da mesma maneira, para agradar um público apegado à tradição, o papel de Maria, que nos Evangelhos é muito pequeno, é ampliado e valorizado. Aí o típico Marianismo católico apareceu forte na maior parte dos filmes. Judas, o apóstolo que traiu Jesus, cujas motivações são pouco conhecidas, pois teria vendido Jesus por trinta moedas de prata, no entanto, ninguém sabe por que. Teve seu papel também ampliado, pois a ausência de uma motivação deu abertura para que se ficcionasse sobre suas razões.
Com certeza o papel que mais foi ampliado e levou a alterações importantes relativas à imagem de Jesus, foi o de Maria Madalena.Sobre Maria Madalena, só se sabe que ele expulsou delas sete demônios. Ela aparece depois nos episódios relativos à Paixão, como testemunha, e é a primeira pessoa para quem Jesus aparece após a Ressurreição. Isso é tudo o que se sabe sobre ela. Mas sua imagem já havia se fundido com de duas outras mulheres “anônimas” dos evangelhos, a mulher pega em flagrante adultério e a “mulher pecadora” que unge os pés de Cristo com perfume.Por essa razão Madalena passa ao longo da estória da Igreja como “uma pecadora arrependida” uma pecadora se trata de uma mulher que levava má vida, provavelmente uma prostituta. As adaptações dos diversos filmes relativamente a Maria Madalena, já fizeram com que ela deixasse a condição de prostituta, se transformasse em seguidora de Jesus, esposa, e mãe de seus filhos. Bem, a ampliação do papel dessa personagem, no cinema, serve para dar alguma pitada de romance na estória. No entanto, isso foi feito ao longo de um século.
As modificações mínimas de filme para filme, acabaram por afetar o conhecimento e o imaginário que o espectador possui sobre o assunto. Como disse antes a maior parte não lê os Evangelhos; se não liam antigamente, agora cada vez menos.E Jesus?
Jesus passa paulatinamente, de uma imagem que precisava ser retratada com o máximo de respeito possível. Pois afinal estava se retratando Deus, até dentrar na pele de um homem comum. Este Jesus despojado dos atributos divinos está sujeito a todos os problemas humanos, agravado pela sua confusa condição divina.
Essa personagem passa a suportar toda espécie de manipulação. Desde o casamento com Maria Madalena e com mais duas mulheres, e ter com ela uma penca de filhos, até ser esquartejado vivo por Mel Gibson.O cinema estabeleceu diversas imagens de Jesus Cristo. No Início do Cinema não narrativo e do cinema mudo, Jesus continuou bastante próximo da Cristologia Católica e protestante, ele ainda era retratado como “o cordeiro que retira os pecados do mundo”. Então ele nascia e crescia para o supremo sacrifício. Entregar sua vida para salva os homens.
Em períodos posteriores, tendo em vista alguma modificações históricas como a primeira ea segunda guerras e o surgimetno da televisão. Jesus tem sua imagem sutilemnte transformada, ele aparece mais humano e com uma imagem mais próxima de nossa sociedade, ele vira: Jesus, o médico; Jesus: o Professor. Em duas séries televisivas dos anos 50. Em King of Kings de Nicholas Ray, de 1961, ele se transforma numa imagem de um Jesus “Americano”, cores americanas, pele, olhos, atitudes americanas. E ele tem vinculado a sua pessoa o tema da Liberdade, tão caro aos americanos.
Em 1964, Jesus ganha uma feição mais política com O Evangelho Segundo Mateus, de Pasolini; em 1967, ele aparece como “o Pastor Universal” através de George Stevens, e a sua maior inovação é falar parte de uma epístola de Paulo; em A Maior Estória de Todos os Tempos.
Em 1973, Jesus aparecerá como um palhaço divertido em Godspell, uma produção que contava menos da sua vida do que tendia a fazer com que as pessoas se inspirassem nos gestos ali retratados; em Jesus Cristo Superstar, o mundo viu um “Jesus Adolescente” com todos os defeitos de um adolescente, cruel, mesquinho, preguiçoso, ranheta, egoísta, e irascível, mais ou menos um Anticristo. Mas, ele passou bem pela crítica por causa da qualidade das canções, a sua imagem questionava-se a si mesma, como ela fora elaborada anteriormente. Junto dele o papel de Judas cresceu bastante, ao longo do filme Judas parecia uma personagem mais próxima de ser O Messias, do que Jesus; e ao contrário de outros filmes, eles eram amigos bastante próximos. Para Judas Jesus havia acreditado na estória de que era Deus e havia sido amolecido por Madalena.
Em 1977 surgiu um dos melhores filmes, Jesus de Nazaré de Franco Zefirelli, feito para a TV, ele elaborou de forma bastante conscienciosa, tomando cuidado para não cair em erros passados a imagem de Jesus: o Judeu. Até hoje é considerada a melhor produção por todas as confissões religiosas.
A Última Tentação de Cristo, não obstante ser uma boa obra cinematográfica, no mostrou um Jesus Psicótico. Dependente de todos os que estavam à volta, sem opinião, covarde, indeciso, e quando tomou sua única decisão errou. O Papel de Judas chegou à sua maior elaboração: ele era mais íntegro e honesto, mais corajoso, e compreendia melhor a missão de Cristo do que ele mesmo. É com este Jesus, fraco, indeciso neurótico, que Maria Madalena, se casa; no filme ela se tornou prostituta por causa da rejeição de Jesus. Logo, só a aceitação dele pode fazer com que ela se redima.
O filme de Mel Gibson vai levar a um retorno à imagem tradicional, “Jesus o cordeiro de Deus”; no entanto, diversamente de vários diretores, Gibson, um católico ultra radical, conhece teologia e sabia bem o que estava fazendo ao estabelecer essa imagem.No Brasil, o Padre Marcelo estabeleceu, a imagem de Jesus um homem cordial, alegre, amigos dos amigos. Bem brasileiro.
Quais as conseqüências disso? Bem, falar de Deus e falar sobre Deus, significa fazer teologia. Aqui não se discute a qualidade desta teologia. No entanto, essa teologia, a forma de ser ver Deus altera sensivelmente o imaginário das pessoas. Não foi à toa que Jesus saiu da condição de ícone intocado e sagrado da nossa cultura e chegou a se tornar uma personagem ligada ao mundo dos meios de comunicação como mais um produto.O cinema lutou para tornar Jesus um personagem seu, procurou adaptá-lo da melhor forma para as suas necessidades e para o público que o recebia, no entanto, apesar de todas as boas intenções envolvidas em alguns casos, Jesus acabou se transformando num produto.
Hoje as pessoas não possuem mais uma imagem unívoca de quem seja Jesus, elas podem escolher numa infinidade de informações, produtos midiatizados, que Jesus ela prefere. Um profeta? Um político? Um médico? Um psicótico? Um gentil? Todas essas imagens convivem, e nem ao menos se disputam espaço. É importante compreender a elaboração dessas imagens no âmbito da cultura e das relações do homem com o sagrado, pois quando dois assuntos entram “em moda” na mídia e são vendidos aos montes para as pessoas do mundo inteiro, só se pode entender este fenômeno de Judas e Madalena, Judas com o Evangelho, e Madalena, com o código da Vinci, se sabendo como ele foi preparado ao longo das décadas pelo cinema e pela TV.
As pessoas se acostumaram com a idéia de que Jesus poderia ter tido uma esposa, se acostumaram com a idéia de que Judas não era tão ruim assim e que tinha motivos sérios e sólidos para trair Jesus, etc, etc, isso faz com que a imagem sagrada que tanto importava para o público seja bastante esvaziada do seu sentido e significação originais. Mesmo seguir Jesus, não significa hoje um caminho único.
Em décadas anteriores os filmes de Cristo eram bastante reprisados no cinema e na televisão. Os brasileiros receberam fortemente a influência do cinema internacional na imagem que possuem de Jesus Cristo. No entanto, o efeito que essa adaptação de imagem teve foi o de fragmentar a sua força e dramaticidade.
Uma outra forma de observar um dos seus possíveis efeitos é o fato de que o radicalismo cristão cresce, e cresce com afirmações de uma imagem única de Jesus, coesa, nada dispersiva, como é o caso das Igrejas Evangélicas e Carismáticas, Jesus é o curador. As frases usadas nos cultos são muito simples, repetitivas e pouco elaboradas. Por que toda elaboração dá margem à especulação e a possível fragmentação. Diante da multiplicidade atordoante do século XXI, aqueles que não se adaptam à fragmentação, à miséria, à fome, de toda sorte, agarram-se desesperadamente à imagem sólida de um Jesus, que além de Curador de todos os males é um provedor.Saímos então da imagem de um Jesus, o cordeiro de Deus que veio ao Mundo para nos salvar, para a imagem de um Jesus que provém para nós o que precisamos para ficar no mundo. Ao longo de um século essa inversão foi bastante radical.

domingo, 4 de outubro de 2009

Acessos

Após um ano de "conta-giros" ou controle de acessos, tivemos a passagem de 2684 pessoas. Iniciado em 04 de Outubro de 2008 e verificado agora. Isso nos dá uma média de 7,5 acessos por dia. Sou muito grato a todos e espero que o blog possa continuar sendo útil. Claro, que se comparado aos blogs da Madonna, Pity, Bruna Surfistinha e outros elementos midiáticos da net, como videocacetadas, numericamente pode parecer pouco, mas não é. O blog, iniciado para servir a comunidade acadêmica e interessados, parece estar de alguma forma cumprindo sua missão e isso é o mais importante. Sete pessoas por dia, quase três mil ao ano, o assunto? Religião e Audiovisual, sim... os acessos estão ótimos!!! Obrigado a todos!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Dinâmica do Espetáculo - The dynamics of the spetacle.

18 a. Compós – Belo Horizonte
GT: Fotografia, Cinema e Vídeo

Realizou-se entre os dias 2 e 5 de junho de 2009 o 18 o. Encontro Anual Compós, na PUCC Minas, em Belo Horizonte/MG, no mais importante encontro de pesquisa da área de Comunicação tivemos a felicidade de sermos selecionados para apresentar o trabalho: A dinâmica do Espetáculo: o movimento como expressão dramática em La Vie Et La Passion de Jesus Christ. O artigo, que é resultado da atual pesquisa em desenvolvimento, será publicado em E-book a ser lançado brevemente pelo mesmo GT onde foi apresentado.
18a. Compós - Belo Horizonte/MG
GT: Fotography, cinema and video.

Took place between days 2 and 5 June 2009 the XVIII Annual Meeting Compós in PUC / Minas, Belo Horizonte / MG. In the most important congress of the research area of communication, we had the happiness of being selected to present the work: The dynamics of the Spectacle: the movement and drama in La Vie et la Passion de Jesus Christ. The article, which is a result of our current research, will be published in E-book to be launched soon by the GT which has been presented.
The dynamics of the spetacle. The Movement as a form of drama in La Vie et la Passion de Jesus Christ (1902/1903 ).
Abstract: This article is an analysis of the film La Vie et la Passion de Jesus Christ, directed by Ferdinand Zecca and Lucien Nonguet, produced between the years 1902 and 1905, and known as the Passion of Pathé. Try to expand the discussion on narrativity in the period known as the Early Cinema, we chose to examine the role of the Movement in the tables that make the movie. We started the analisys by the movement of bodies, gestures of the actors and extras. we verifies the space of stage, until to movement of camera. And we tend to conclude that the directors made use of of movement on stage with purposes narratives and dramatics.

Keywords: Movement 1. Area 2. Passion of Christ 3. Jesus Film 4.

A DINÂMICA DO ESPETÁCULO
O Movimento como expressão dramática em La Vie et La Passion de Jesus Christ (1902/1903)

Resumo: Neste artigo faz-se uma análise do filme La Vie et la Passion de Jesus Christ, dirigido por Ferdinand Zecca e Lucien Nonguet, produzido entre os anos de 1902 e 1905, e conhecido por Paixão da Pathé. Busca-se ampliar a discussão sobre a narratividade no período conhecido por Primeiro Cinema, para tanto escolhemos analisar o papel do Movimento nos quadros que compõe o filme. Iniciamos através do movimento dos corpos, dos gestos dos atores e dos figurantes, passamos pelos deslocamentos espaciais, até chegarmos aos movimentos de câmera. E tendemos a concluir pela utilização dramática e com efeitos narrativos na utilização da movimentação em cena.

Palavras-Chave: Movimento 1. Espaço 2. Paixão de Cristo 3.

13o. Encontro Socine - em São Paulo


Novamente uma mesa imperdível na Socine. A reunião da Socine acontecerá este ano em São Paulo. Angeluccia, Miguel Pereira e Eu apresentamos a mesa o Sagrado no Cinema: Redenção. Continuaremos a desenvolver a problemática relativa ao sagrado e ao cinema, mas desta vez circunscrevemos para o tema da redenção, pois ele é apropriado e desenvolvido em diversos tipos de produção. Minha escolha de assunto segue abaixo:


“A Canção de Bernadete”: A redenção e a carne.

O tema da Redenção surge em diversas produções, desde os Filmes de Cristo onde o tema é trabalhado de forma mais direta até os enredos mais melodramáticos e mesmo cômicos. Pretendo abordar a forma como o o tema foi tratado no filme “A Canção de Bernadete” (King, 1943). Desenvolverei algumas noções sobre filme religioso, seguindo uma análise do filme sobre a vida de Bernadete Sobirou, discutindo a questão da redenção em dois sentidos distintos o sacrifício do corpo e o abandono do mundo.

Resumo expandido:
“A Canção de Bernadete”: A redenção e a carne
.
Tendo em vista observar a influência do Cristianismo sobre o Cinema, quer seja pelas escolhas dos temas tratados no filmes, quer seja pela influência política e econômica dos produtores de origem religiosa, escolhi verificar como o tema teologal da Redenção é absorvido e interpretado numa produção americana.
Este tema surge em diversas produções ao longo da história do Cinema, sendo facilmente observado nos Filmes de Cristo, como “Da Manjedoura à Cruz (Sidney Olcott, 1912), “The King of Kings” (DeMille, 1927), etc, onde o tema é trabalhado de forma mais direta; e pode ser percebido até mesmo nos enredos mais melodramáticos e mesmo cômicos, como “A Vida de Brian”, “Amor Além da Vida”, “A.I. Inteligência Artificial”, “E.T.”, entre outros. Pretendo abordar a forma como o tema Redenção foi tratado no filme “A Canção de Bernadete” (King, 1943).
Para tanto desenvolverei algumas noções sobre filme religioso assunto pouco explorado até então (existe um gênero? Quais suas características?) e em seguida farei uma análise da leitura do filme sobre a vida de Bernadete Sobirou, discutindo a questão da redenção em dois sentidos distintos o sacrifício do corpo e o abandono do mundo, aqui os dois temas serão absorvidos na conhecida metáfora: a carne. Através da análise buscaremos resgatar essa produção, não apenas pelo seu valor artístico e histórico, mas pelos novos sentidos que uma leitura a partir do ponto de vista religioso, pode trazer à luz.
A Canção de Bernadette é um filme do conhecido diretor Henry King, um dos grandes realizadores de Hollywood, com produção de um não menos notável David O. Selznick. A estória se passa no século XIX, e trata da vida de Bernadette Soubirous, a jovem que teve uma visão da Virgem Maria em Lourdes, na França, em 1858. Retrata um momento bastante delicado, onde a Igreja Católica estava reafirmando seus dogmas e elaborando um novo, o da Imaculada Concepção. É no terreno do embate entre religião e ciência que a personagem Bernadette surge, e se torna para nós um ponto privilegiado de onde poderemos observar a discussão e seus reflexos na sociedade.
O filme trouxe o Oscar de melhor atriz, para Jeniffer Jonnes, e também levou os de fotografia, Arte e Música, em 1943. Sendo que a trilha sonora havia sido iniciada pelo conhecido compositor Igor Strawinsky, e foi reelaborada e concluída por Alfred Newman.O filme teve grande impacto na época e chegou a ganhar quatro Globos de Ouro, em 1944.

Bibliografia:
FLESHER, Paul V. M. e TORRY, Robert. Film & Religion. An Introduction. Nashville: Abingdon Press, 2007.
MARSH, Clive. Theology Goes to the Movies. An introduction to critical Christian Thinking. London/New York: Routledge, 2007.
MAY, John R. (ed). New Image of Religious Film. Franklin/Wisconsin: Sheed & Ward, 1997.
MITCHELL, Jolyon e PLATE, S. Brent. The Religion and Film Reader.New York/London: Routledge, 2007.
WALSH, Frank. Sin and Censorship – The Catholic Church and the Motion Picture Industry. New Haven and London: Yale University Press, 1996.
WRIGHT, Melanie J. Religion and Film – An Introduction. London/New York: I. B. Tauris, 2008. reimpressão da ed. De 2007.

Work in progress - Novos Artigos em andamento

Mary Magdalene a Difficult Character - (in progress)
In this article we analyze the construction of the image of Mary Magdalene in the film. The known character of the Gospels, being directly connected to events relating to the Resurrection of Jesus Christ, has always been present in the film productions of Christ, in this article to see how her image is constructed in film and TV, and new meanings that she acquires in this process.
Religious films - (in progress) This article find the production religion as a whole. I deal here since the films that have a religious theme or subject, to movies produced under the auspices of religious institutions. I attempted to establish the characteristics of what roughly we could call the religious genre.

Biblical epic films - (in progress)
The genus Epic Bible is studied and recorded here in all its details and features. This text is a chapter of a book still being published and dealing with film genres. The book is organized by Gelson Santana and Fernando Mascarello.

Why do not laugh of Christ? - (In progress)
Analysis of comic video directed by Javier Prato and designed to run on the Internet, and shows that an actor characterized Jesus Christ taking his homosexuality. In this article I explore the idea of humor and because it is not the person of Jesus Christ, but to its image.

The Film and Manufacturing of the Sacred. - Planned
A very important issue in productions involving religion or religious intent is the behavior of those who are involved in the making of films. This article explores the various moments where directors and actors have behaved not only a religious but also linked to their performance the sacralization of their actions so they could "bless" the final product. The sacralization of manufacture is a very old established fact at least since the Middle Ages, when painters and sculptors were engaged to their work taken to respect religious, they often were fasting and praying as their work place.

The Passion of the Gaumont, aesthetic and narrative analysis. - Planned
One of the most important production of films of Christ, in 1906, deserves a detailed analysis. In this article I examine the naturalism of the production and check the differences between the production of Alice Guy and of Ferdinand Zecca, the rival producer, the Pathé.

The representation of Transcendent Films of Christ in the first film. The aesthetic influence of Tissot. - Planned
One issue that often seems incidental to the films of Christ, but who nevertheless became an important information because the collective imagination, is to as the "transcendent" is represented. Everything that belongs to the world not material here will be considered as an aspect of the "transcendent." It is important to note that at the beginning of the film and long had a very clear model of how the angels should be shown in cinemas, or even ghosts, and even God. In this sense, the irruption of the sacred is represented in a visual and tell us how this experience before the supernatural to happen.

The Representation of the Transcendent in Cecil B. DeMille. - In progress.
In this article do a detailed study of how Cecil B. DeMille will show their films in transcendental aspects of religious theme. The renowned director has a huge influence in this kind of filmic production, and eventually establish ways and means to represent the irruption of the sacred. See how this occurs and mapearei the influences of these choices and try to establish what is the contribution of the original director.

The Passion of Horitz - Registration Document. - Planned
This article analyzes the Passion of Horitz, one of the first films of Christ. This passion has been commonly thought, and looked like a movie drama, or a mix of fiction with documentary, this article supports the idea that neither. The Passion of Horitz this is a registry document, seek to dispel the idea of the Passion narrative as the guiding principle.

Maria Madalena a Difícil Personagem – (em andamento)
Análise sobre a construção da imagem de Maria Madalena no Cinema. Esta conhecida personagem dos Evangelhos, por estar ligada diretamente aos eventos relativos à Ressurreição de Jesus Cristo, esteve sempre presente nas produções de Filme de Cristo, neste artigo verificarei como a imagem dela é construída no cinema e na TV, e os significados novos que ela adquire neste processo.

Filmes Religiosos – (em andamento)
Neste artigo verifico a produção religiosa como um todo. Trato desde os filmes que possuem um tema ou assunto religioso, até filmes produzidos sob os auspícios das instituições religiosas. Faço uma tentativa de estabelecer as características daquilo que “grosso modo” poderíamos chamar de gênero religioso.

Filmes Épicos Bíblicos – (em andamento)
O gênero Épico Bíblico é estudado e verificado aqui em todas as suas nuances. Este texto se trata de um capítulo de livro ainda a ser publicado e que trata dos gêneros cinematográficos. O livro está sendo organizado por Gelson Santana e Fernando Mascarello.

Porque não se ri de Cristo? – (em andamento)
Análise do vídeo cômico realizado por Javier Prato para ser veiculado na internet, e que mostra um ator caracterizado de Jesus Cristo assumindo sua homossexualidade. Neste artigo exploro a idéia da comicidade e porque ela não se adequa à pessoa de Jesus Cristo, mas sim à sua imagem.

O Filme como Manufatura do Sagrado. - planejado
Uma questão bastante importante nas produções que envolvem religiosos ou intenções religiosos é o comportamento daqueles que estão envolvidos na realização dos filmes. Neste artigo exploro os diversos momentos onde diretores e atores se comportaram não apenas de forma religiosa como também vincularam à sua atuação a sacralização dos seus atos para que pudessem de alguma forma “santificar” o produto final. A sacralização da manufatura é um fato bastante antigo verificado ao menos desde a Idade Média, onde pintores e escultores dedicavam-se ao seu labor tomados de respeito religiosos, muitas vezes jejuando e orando enquanto realizam seus trabalho.

A Paixão da Gaumont, análise estética e narrativa. - planejado
Uma das mais importantes produções de Filmes de Cristo, realizada em 1906, merecia uma análise pormenorizada. Neste artigo farei uma apreciação do naturalismo da encenação, bem como verificarei as diferenças entre a produção de Alice Guy e a de Ferdinand Zecca, da produtora rival, a Pathé.

A representação do Transcendente nos Filmes de Cristo do primeiro Cinema. A influência estética de Tissot. - planejado
Uma questão que as vezes parece acessória aos filmes de Cristo, mas, que no entanto se torna um importante dado que informa o imaginário coletivo, é a de como o “transcendente” é representado. Tudo aquilo que pertence ao mundo não material aqui será considerado como sendo um aspecto do “transcendente”. É importante verificar que no início do cinema e durante muito tempo não havia um modelo muito claro de como deveriam ser mostrados os anjos no cinema, ou até mesmo fantasmas, e quiçá Deus. Neste sentido, a irrupção do sagrado é representada de forma visual e nos informa como essa experiência diante do sobrenatural deve acontecer.

A Representação do Transcendente em Cecil B. DeMille. – em andamento
Neste artigo faço um estudo minucioso da forma como Cecil B. DeMille irá mostrar os aspectos transcendentes em seus filmes de tema religioso. O conhecido diretor tem uma influência enorme neste tipo de produção fílmica, e acabou por estabelecer formas e maneiras de se representar a irrupção do sagrado. Verificarei como isso ocorre e mapearei as influências destas escolhas e tentarei estabelecer aquilo que é a contribuição original deste diretor.

A Paixão de Horitz – Registro Documental. - planejado
Neste artigo analiso a Paixão de Horitz, um dos primeiros filmes de Cristo. Essa Paixão tem sido comumente pensada e analisada como um filme de ficção, ou como um misto de ficção com documentário, neste artigo defenderei a idéia de que nem uma coisa nem outra. A Paixão de Horitz se tratava de um Registro documental, buscarei afastar a idéia da narrativa da Paixão como sendo o fio condutor.

Páscoa IHU 2009


Nos dias 18 e 19 de Março passado tive a oportunidade de estar em São Leopoldo e Porto Alegre, realizando três palestras à convite do Instituto Humanitas da Unisinos, fiquei feliz em poder participar de um evento que ocorre todos os anos A Páscoa IHU. A programação se constituiu de uma série de palestras, debates e exibição de filmes religiosos, alguns bastante raros. O evento foi um momento bastante enriquecedor, pois tive oportunidade de trocar idéias com profissionais da área de teologia, coisa que até então não havia feito de forma tão direta. Agradeço aos amigos do IHU pela oportunidade e pela carinhosa acolhida.

Segue abaixo a apresentação oficial do evento:

Apresentação

A Programação de Páscoa promovida anualmente pelo Instituto Humanitas Unisinos tem como proposta contribuir nos debates sobre temas relevantes da atualidade relacionados com a ética, a teologia, as religiões e a cultura. A programação para 2009 prevê um conjunto de atividades integradas que compreende: uma exposição de banners sobre religiões mundiais, acompanhada de uma série televisiva sobre as mesmas; um ciclo de filmes sobre "Jesus no cinema", precedido de palestras e debates sobre a estética, linguagem fílmica e o impacto da figura de Jesus na cultura contemporânea; palestras e debates sobre expressões simbólicas de narrativas religiosas; audições comentadas de música clássica; momentos celebrativos; retiro para universitários. Trata-se de uma abordagem transdisciplinar que visa envolver o público acadêmico e a comunidade local em reflexões e debates sobre valores humanos, culturais e religiosos impulsionadores para o compromisso com a construção de possibilidades de vida digna do ser humano.


Realização

Início: 02/03/2009
Término: 26/04/2009
Horário: Conforme Programa
Duração total: 60h
Investimento: Gratuito
Local: Sala 1G 119 – Instituto Humanitas Unisinos – IHU e Auditório Central
Av. Unisinos, 950 – São Leopoldo – RS
e Sala P.F. Gastal - Usina do Gasômetro/ POA


Objetivo

Debater e refletir sobre o significado histórico, filosófico, cultural e religioso da figura de Jesus e seus impactos na cultura contemporânea.
Objetivos específicos
- Analisar narrativas de Jesus e de Deus no cinema, na literatura e na música clássica.
- Promover o debate sobre valores humanos e cristãos a partir da arte.
- Oportunizar um estudo interdisciplinar sobre os símbolos da água e do fogo na liturgia pascal.
- Aprofundar o sentido da morte e ressurreição de Jesus Cristo para o contexto sociocultural
- Proporcionar momentos celebrativos através de audições comentadas de música clássica e de um retiro espiritual.
- Abrir perspectivas para o debate sobre possibilidades e impossibilidades da narrativa de Deus numa sociedade pós-metafísica.


18 de março
Palestra: Jesus no Primeiro Cinema. Estética e narrativa
Palestrante: Prof. Dr. Luiz Antônio Vadico - Universidade Anhembi Morumbi/SP
Local: Sala PF Gastal – Usina do Gasômetro/Porto Alegre
Horário: 20h às 22h

19 de março
IHU Idéias: A paixão de Cristo no Primeiro Cinema. Influências artísticas, estética e narrativa
Palestrante: Prof. Dr. Luiz Antônio Vadico - Universidade Anhembi Morumbi/SP
Local: Sala 1G119 - IHU
Horário: 17h30min às 19h


Palestra: Imaginando o Divino. Representações de Jesus no Cinema
Palestrante: Prof. Dr. Luiz Antônio Vadico - Universidade Anhembi Morumbi/SP
Local: Sala 1G119 - IHU
Horário: 19h45min às 22h